RH em Pauta

Mercado de Trabalho 2030 – Parte 3 - A empresa híbrida

11/08/2026 | Por: www.atribunapiracicabana.com.br

RH em Pauta

Nas duas últimas semanas, fizemos uma pergunta que há pouco tempo pareceria estranha em uma reunião de recrutamento: uma determinada necessidade deve ser atendida por um profissional CLT, um freelancer ou um Agente de Inteligência Artificial? Na primeira parte, descobrimos que a pergunta mudou. Na segunda, percebemos que não existe uma resposta única. Agora precisamos dar um passo além. E se a resposta não estiver na escolha de um modelo, mas na combinação deles? Durante muito tempo, pensamos a empresa como uma estrutura formada essencialmente por pessoas. Depois vieram as terceirizações, os profissionais por projeto e os novos formatos de trabalho. Agora, os Agentes de IA começam a ocupar espaços que antes eram exclusivamente humanos. Isso não significa que a empresa do futuro será menos humana. Pode significar exatamente o contrário. Um levantamento divulgado em junho deste ano mostra que 18% das empresas brasileiras já integraram agentes de Inteligência Artificial aos seus fluxos de trabalho, acima da média mundial de 13%. O estudo, realizado pela GFT com dados da BCG, aponta justamente para uma transição dos projetos experimentais para aplicações empresariais escaláveis.  Mas há outro dado que chama ainda mais a atenção. Uma pesquisa global da Gensler, realizada com mais de 16 mil profissionais em 16 países, identificou que os chamados AI Power Users — aqueles que utilizam IA com maior frequência — passam menos tempo trabalhando sozinhos, mais tempo aprendendo e relatam relações mais fortes com suas equipes.  Ou seja, talvez estejamos diante de um paradoxo interessante: quanto mais a tecnologia assume determinadas tarefas, mais valor pode ser liberado para aquilo que continua essencialmente humano — aprender, colaborar, criar, decidir e construir relacionamentos. Uma organização poderá ter profissionais CLT preservando sua cultura e desenvolvendo relacionamentos; especialistas externos trazendo conhecimento específico quando necessário; e Agentes de IA executando tarefas repetitivas, analisando informações e apoiando decisões. O desafio será descobrir onde cada um gera mais valor. É aqui que a discussão deixa de ser sobre contratação e passa a ser sobre estratégia organizacional. Não basta perguntar quanto custa contratar uma pessoa. Será preciso avaliar o custo da atividade, o valor do conhecimento, a velocidade necessária, o impacto sobre a cultura e aquilo que realmente exige inteligência humana. Também será preciso cuidado com uma armadilha da tecnologia. Se todas as empresas utilizarem as mesmas plataformas, os mesmos modelos e até prompts semelhantes, poderemos assistir a uma curiosa padronização de soluções. A Inteligência Artificial pode ampliar a capacidade das organizações, mas não garante, sozinha, diferenciação. Quando a tecnologia se torna acessível a todos, a vantagem competitiva volta a estar na capacidade de fazer perguntas melhores, tomar decisões melhores e conectar tecnologia a pessoas. Talvez seja esse o verdadeiro papel do RH no Mercado de Trabalho 2030. Não escolher entre pessoas e tecnologia. Desenhar a combinação capaz de produzir melhores resultados. As empresas vencedoras não serão as que substituírem pessoas por Inteligência Artificial. Nem as que resistirem à tecnologia. Serão aquelas capazes de integrar pessoas, especialistas externos e agentes digitais em torno de um mesmo propósito. A empresa híbrida não será aquela que terá mais tecnologia. Será aquela que souber onde colocar a tecnologia e onde preservar o humano. E talvez essa seja a pergunta que substituirá todas as outras: Não "quem vamos contratar?", mas "qual combinação de pessoas e tecnologia fará nossa empresa melhor?" O futuro do trabalho não escolherá um lado. Nós é que teremos de escolher como construir esse futuro. 


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