RH em Pauta

Escassez de mão de obra: o desafio já começou (Parte 2) Quem serão as equipes que precisaremos cuidar no futuro?

02/06/2026 | Por: www.atribunapiracicabana.com.br

RH em Pauta

Na semana passada, ao comentar a excelente palestra de Silvia Boni no GRHUPIRA sobre saúde mental no trabalho, refletimos sobre um dos maiores desafios atuais das organizações: cuidar das pessoas. Mas, antes mesmo de cuidar das equipes, muitas empresas estão enfrentando uma dificuldade ainda maior: encontrá-las. A escassez de mão de obra deixou de ser uma preocupação restrita a funções altamente especializadas. O fenômeno já alcança áreas operacionais, administrativas e comerciais. Empresas que há poucos anos recebiam dezenas de currículos para determinadas vagas hoje encontram dificuldade para atrair candidatos aderentes. A pergunta que surge é inevitável: quem serão as equipes que precisaremos cuidar no futuro? A resposta passa por uma transformação que está ocorrendo em três frentes simultaneamente. A primeira delas é demográfica. O Brasil vive um processo gradual de envelhecimento populacional. Há menos jovens ingressando no mercado de trabalho do que havia décadas atrás. Em termos simples:  haverá menos pessoas disponíveis para ocupar as vagas que continuarão surgindo. A segunda transformação está relacionada às expectativas profissionais. Durante muito tempo, o emprego formal representou praticamente a única alternativa de crescimento e estabilidade financeira. Hoje, a realidade é diferente. É impossível discutir o futuro do trabalho sem falar sobre remuneração. Do lado das empresas, os encargos trabalhistas elevam significativamente o custo da contratação. Do lado do trabalhador, descontos e tributos reduzem o valor efetivamente recebido ao final do mês. O resultado é uma percepção curiosa: muitas vezes o custo para contratar é alto para a empresa, enquanto a remuneração continua sendo considerada baixa pelo profissional. Ao mesmo tempo, surgiram alternativas que disputam espaço com o emprego tradicional. Aplicativos de transporte, entregas, comércio digital, produção de conteúdo, prestação de serviços online e diversas formas de empreendedorismo passaram a compor o cardápio de opções de renda, especialmente para os mais jovens. Pela primeira vez, muitas empresas não competem apenas com seus concorrentes na busca por talentos. Competem também com plataformas digitais, aplicativos e novos modelos de trabalho. A terceira transformação é tecnológica. Inteligência Artificial, automação e digitalização estão mudando profissões inteiras. Algumas atividades desaparecem, outras são reinventadas e novas ocupações surgem em uma velocidade que desafia empresas, escolas e profissionais. Peter Drucker afirmou que "a melhor maneira de prever o futuro é criá-lo". Talvez seja exatamente esse o desafio das organizações atuais. Esperar que o mercado resolva sozinho a falta de profissionais pode não ser uma estratégia sustentável. Da mesma forma, Alvin Toffler advertiu que "os analfabetos do século XXI não serão aqueles que não sabem ler e escrever, mas aqueles que não conseguem aprender, desaprender e reaprender". Essa reflexão vale para profissionais, líderes e empresas. Talvez o maior erro seja acreditar que as equipes do futuro serão iguais às do passado. Elas terão outras expectativas, outras habilidades, outras formas de trabalhar e, principalmente, outras formas de enxergar a relação entre vida e trabalho. E isso nos leva à próxima reflexão: se os profissionais mudaram, como as empresas podem se tornar mais atrativas para atrair, desenvolver e reter esses talentos? Falaremos sobre isso no próximo artigo. E, só para a gente pensar: durante décadas as empresas disputaram profissionais com outras empresas. Hoje, em alguns casos, a concorrência pode ser um aplicativo instalado no celular do candidato. O mercado mudou. A pergunta é: estamos preparados para mudar com ele?    #futuro #mudança #pessoas