RH em Pauta

ARTIGO 1 — O problema. Postura de dono não nasce pronta — e esse pode ser o nosso erro

14/04/2026 | Por: www.atribunapiracicabana.com.br

RH em Pauta

Nesta semana, duas situações diferentes me chamaram a atenção — e, curiosamente, apontaram para o mesmo problema. Em uma reunião com um cliente, falávamos sobre um colaborador recém-contratado, ainda no período de experiência. Ao analisar seu desempenho, mencionei que ele demonstrava potencial para se tornar uma liderança. A encarregada concordou, mas trouxe um ponto de preocupação: ele faltava com frequência.  Ao aprofundarmos a conversa, um detalhe importante apareceu. Era sua primeira experiência profissional, recém-saído do ensino médio. Em outro contexto, acompanhei a adaptação de um profissional de 30 anos, contratado para a área comercial. Um perfil diferente, mais maduro, mas com uma dificuldade semelhante: insegurança para se posicionar, tomar iniciativa e conduzir suas próprias oportunidades. Dois cenários distintos. Duas histórias diferentes. Um ponto em comum. A ausência de algo que o mercado costuma chamar de “postura de dono”. Mas talvez aqui esteja o nosso primeiro erro.  Chamamos de falta de postura aquilo que, muitas vezes, é falta de desenvolvimento. Esperamos comportamento de protagonismo de quem ainda não teve oportunidade real de aprender o que isso significa na prática. A chamada Geração Z chega ao mercado com acesso à informação, velocidade de aprendizado e capacidade de adaptação. Mas, ao mesmo tempo, traz lacunas importantes: pouca vivência organizacional, dificuldade em lidar com frustração e pouca clareza sobre responsabilidade profissional. E isso não é um defeito. É contexto. Peter Drucker já afirmava que “a cultura come a estratégia no café da manhã”. Podemos adaptar essa ideia para o cenário atual: comportamento não nasce isolado — ele é moldado pelo ambiente. Se queremos profissionais com postura de dono, precisamos criar ambientes que ensinem o que isso significa. Porque, no fim das contas, ninguém desenvolve senso de responsabilidade apenas ouvindo que precisa “agir como dono”. Isso exige orientação, exemplo e, principalmente, liderança presente. Talvez o problema não esteja na nova geração. Talvez esteja na expectativa de que ela chegue pronta para um jogo que ninguém explicou direito. E aqui fica a provocação que abre essa série: será que estamos deixando de formar os profissionais que depois cobramos? Na próxima semana, vamos avançar nessa conversa. Porque, se existe uma lacuna de protagonismo, talvez ela não comece nos jovens — mas nas empresas que esperam sem desenvolver. E, convenhamos… esperar postura de dono sem ensinar o que isso significa é mais ou menos como cobrar resultado sem dar direção. A gente sabe como isso termina.