PARTE 1 — Que
liderança um jovem talento precisa encontrar para permanecer?
Este ano mudei
minhas férias. Após tomar muita chuva em Ubatuba em janeiro decidimos tomar
chuva em março em Peruíbe. No entanto antes de sair, combinamos que falaríamos
sobre o impacto da liderança na retenção de talentos. Nas duas últimas semanas
repetimos 2 artigos por sugestão do editor e hoje me dei conta que esta coluna
completou no dia 11 um ano de publicações. Reli algo emocionado o artigo
inicial que fazia um trocadilho com o filme Ainda Estou Aqui. Como o tempo
passa rápido, mas legal que temos outro filme na disputa e espero que ao ler
esse artigo você esteja feliz por mais um Oscar para o nosso cinema. E a vida — como costuma fazer — resolveu
entregar um exemplo real, desses que dispensam teoria, para a retomada neste
segundo ano de coluna. Participei recentemente da 14ª Ação da Empregabilidade
em Piracicaba. Entre tantas conversas, havia uma vaga estratégica na área
administrativa. Em meio ao fluxo intenso de candidatos, uma jovem se aproximou.
Sem rodeios, disse exatamente o que queria, o que buscava e onde pretendia
chegar. Não houve entrevista formal. Bastaram poucos minutos para perceber uma
aderência rara entre perfil, maturidade e oportunidade. Encaminhei
imediatamente para a entrevista. Ela começa na empresa na segunda-feira — que,
para você que lê este artigo, foi ontem. Detalhe importante: ela tem apenas 18
anos. Esse episódio levanta uma pergunta essencial para empresas que desejam
crescer de forma sustentável: que tipo de liderança essa jovem profissional
precisa encontrar para permanecer? Estamos falando de alguém que não espera
ordens a cada passo, mas orientação. Que não busca proteção excessiva, mas
aprendizado. Jovens talentos como esse chegam ao mercado com repertório,
informação e senso crítico. Eles querem ser levados a sério — e percebem
rapidamente quando não são. Peter Drucker já dizia que “a melhor maneira de
prever o futuro é criá-lo”. No contexto da liderança, isso significa criar
ambientes onde aprender seja parte do trabalho, e não um favor ocasional.
Liderança, aqui, deixa de ser comando e passa a ser construção. Para que
talentos jovens permaneçam, é preciso liderança que: ensine sem humilhar; cobre
sem desumanizar; corrija sem desmotivar; e reconheça que ninguém nasce pronto.
Quando isso não acontece, a saída é silenciosa — e rápida. Jovens profissionais
não ficam tempo suficiente para “se acomodar”. Eles simplesmente seguem em
frente. Talvez o maior desafio das empresas hoje não seja atrair jovens
talentos, mas estar preparadas para recebê-los. Porque reter alguém que sabe o
que quer exige mais do que vaga aberta. Exige liderança presente. E aqui fica a
provocação: Se aos 18 anos essa jovem já sabe onde quer chegar, talvez a
pergunta não seja se ela está pronta para a empresa — mas se a empresa está
pronta para ela. (Continua…)
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